Prêmio de física vai para russos que obtiveram grafeno, material de carbono com chances de substituir silício
Feito com uma única "folha" de átomos, ele também inspira usos na biomedicina e na indústria aeronáutica
Os trabalhos de dois russos com o grafeno (uma forma do elemento carbono extremamente densa e forte, com potencial para revolucionar a eletrônica e outras áreas) rendeu a eles ontem o Prêmio Nobel em Física.
O material, com espessura de um átomo de carbono, foi obtido pela primeira vez em 2004 pelos físicos Andre Geim e Konstantin Novoselov, da Universidade de Manchester, no Reino Unido.
Desde então, a dupla seguiu fazendo experimentos com o grafeno, que é a estrutura mais fina já encontrada e, ao mesmo tempo, bastante elástica e mais resistente que o diamante (que, aliás, também é feito de carbono).
Tais propriedades, aliadas ao fato de que o grafeno é também um eficiente condutor de calor, tornam o material uma promessa em diversas áreas da indústria.
Eles mostraram que o grafeno permite sensores capazes de detectar uma única molécula de gás tóxico.
Além disso, os estudos dos dois têm sugerido que os transistores (conjunto de circuitos) de grafeno podem ser mais rápidos do que os de silício, usados hoje nos computadores de todos os tipos.
"Fala-se de substituição do silício desde os anos 1980, e vários candidatos continuam sendo apenas candidatos. Mas o grafeno, de fato, é promissor", afirma o físico Peter Schulz, da Unicamp.
Uma das descobertas recentes mostra que a estrutura pode substituir as fibras de carbono em materiais de alto desempenho que são usados na fabricação de aeronaves.
Os físicos Geim e Novoselov se formaram na Rússia e se encontraram na Holanda, onde o primeiro era professor e orientou o doutorado do segundo. De lá, seguiram juntos para o Reino Unido.
"Eu nunca desistiria de Novoselov, porque ele trabalha duro", disse Geim .
Aos 36 anos, Novoselov é um dos premiados mais jovens da história do Nobel.
Quanto ao prêmio, Geim afirma que foi uma surpresa. "Eu dormi profundamente na noite passada, porque nunca esperava ganhar."
A comunidade científica, porém, afirma que havia expectativa. "Havia especulação, mas não se sabia quando o grafeno resultaria num Nobel", diz Schultz.
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